Colatina, no Espírito Santo, ampliou a oferta de atenção especializada dentro da própria rede municipal com um modelo telepresencial de telemedicina. Nos 30 primeiros dias de atendimento, a operação registrou 310 consultas em cinco áreas clínicas: neurologia, endocrinologia, proctologia, ortopedia e traumatologia, e pneumologia. A operação é estruturada pela BNG Hub, sempre em apoio à regulação e à gestão municipal, com o atendimento operado pela BNG LinkCare.
A neurologia concentrou 59% de toda a demanda do período, e a neurologia pediátrica sozinha respondeu por 46 dessas consultas.
O que é o modelo telepresencial e onde ele se encaixa na rede municipal
Telemedicina em modelo telepresencial é o atendimento em que o paciente é recebido na unidade de saúde do próprio município, com uma equipe local capacitada conduzindo a consulta, enquanto o médico especialista participa a distância pela plataforma. O modelo não substitui a estrutura da rede, amplia a capacidade instalada que ela já tem: a vaga é ocupada dentro do território, com registro na produção ambulatorial do próprio município.
Entre os formatos de telemedicina, o telepresencial é o indicado quando a avaliação pede apoio presencial e continuidade na rede. Como a unidade segue sendo o ponto de atenção, o vínculo com a Atenção Primária é preservado, o especialista conta com o apoio da equipe presente durante a avaliação e o atendimento entra na produção ambulatorial do município. É o desenho que sustenta subespecialidades e casos de acompanhamento longitudinal, em que o retorno do paciente ao cuidado local faz parte do tratamento.
Para a gestão, a consequência prática é que a secretaria não precisa absorver mais um serviço para operar. O acompanhamento das agendas dos especialistas é feito em conjunto com a operação, sempre dentro dos critérios de regulação definidos pela gestão municipal.
Por que a oferta de subespecialidades é um desafio estrutural nos municípios de porte médio
A oferta de subespecialidades é um desafio estrutural do setor, não uma característica de uma rede específica. Manter no próprio território a variedade de subespecialistas disponível nos grandes centros exige uma escala assistencial que a maioria dos municípios, isoladamente, não alcança. Quanto mais específica a subespecialidade, maior a população necessária para sustentar um profissional em agenda regular, e é por isso que a oferta tende a se concentrar em poucos centros de referência.
O efeito sobre a gestão é conhecido: demanda reprimida que se acumula na fila de regulação, encaminhamentos que dependem de pactuação com o município de referência e custo crescente de transporte sanitário. O deslocamento também alimenta o absenteísmo, porque cada consulta agendada fora do território tem mais chance de não ser cumprida, e uma vaga perdida em subespecialidade é difícil de repor no mês.
A telemedicina em modelo telepresencial atua exatamente nesse ponto: aproveita a estrutura de atendimento que o município já mantém e conecta a ela a oferta de especialistas que a escala local não sustentaria sozinha.
Por que a fila de neurologia pediátrica é uma das mais desafiadoras para a gestão
Entre as filas da atenção especializada, a de neuropediatria é uma das mais desafiadoras de administrar, por três motivos que se somam.
O volume é estrutural, não sazonal. Cerca de 80% da procura por neuropediatria é de distúrbios do desenvolvimento, com peso importante do TDAH, de acordo com o MPDFT. São quadros de acompanhamento longitudinal, e não de atendimento único, o que significa que cada novo paciente ocupa vagas de retorno pelos anos seguintes. Uma fila de neuropediatria não se resolve com mutirão, porque o mutirão gera demanda de seguimento.
Parte da demanda é documental e não clínica. O mesmo levantamento aponta que a exigência de laudos para benefícios, como o passe livre no transporte público, ocupa parte da agenda do especialista, ao lado do déficit de equipes multiprofissionais que poderiam absorver o acompanhamento.
A espera tem custo clínico cumulativo. Como aponta a organização Autismo e Realidade, os sinais do Transtorno do Espectro Autista são detectáveis por volta dos 18 meses e o diagnóstico é considerado confiável aos 2 anos, mas muitas crianças só recebem o diagnóstico no início da adolescência, e quanto mais cedo a intervenção começa, melhor o prognóstico. Há ainda sobreposição entre condições: a prevalência de epilepsia em pessoas com autismo é de 12,1%, e a de autismo em pacientes com epilepsia, de 9%, bem acima da prevalência de 1% a 3% de epilepsia na população geral. Uma única criança pode demandar avaliação neurológica, acompanhamento do desenvolvimento e articulação com outras terapias ao mesmo tempo.
Volume estrutural, demanda documental e custo clínico cumulativo somados fazem da fila de neuropediatria uma das de maior exposição à judicialização. Em dezembro de 2023, diante de mais de 10 mil crianças aguardando neuropediatria no Distrito Federal, a Defensoria Pública do DF ajuizou ação civil pública pedindo a extinção da fila. Para a gestão municipal, cada mês de espera acumulada aumenta o risco de a vaga passar a ser determinada judicialmente, e não pela regulação.
Como a neuropediatria é atendida no modelo telepresencial
A viabilidade clínica da neuropediatria à distância costuma ser a primeira objeção técnica na mesa da gestão, porque boa parte da avaliação é observacional e depende de exame do desenvolvimento.
No modelo telepresencial, essa objeção é endereçada pela presença da equipe local. A criança e o acompanhante são recebidos na unidade, a equipe capacitada conduz o atendimento ao lado deles e o neuropediatra participa à distância. O especialista observa a criança em interação e colhe o histórico de desenvolvimento, escolar e comportamental com quem acompanha o caso, com apoio da equipe presente ao longo da consulta.
A avaliação especializada a distância com equipe capacitada ao lado do paciente é o que viabiliza a neurologia pediátrica em uma unidade que não teria escala para manter o profissional no próprio quadro.
Como a operação foi estruturada
A atuação da BNG Hub na unidade se apoiou em dois eixos conduzidos em paralelo, ambos voltados a fortalecer a capacidade já existente na rede local.
O primeiro foi a capacitação da equipe local para o atendimento em modelo telepresencial: preparar quem recebe o paciente na unidade para operar a plataforma, organizar o fluxo da consulta e apoiar o especialista durante a avaliação.
O segundo foi o suporte integral à plataforma, oferecido tanto à equipe da unidade quanto ao médico especialista, para que a tecnologia não se tornasse ponto de atrito em nenhuma das duas pontas do atendimento.
“Nossa principal preocupação naquele momento era ampliar o acesso ao especialista dentro do próprio município, capacitando a equipe local para o atendimento em modelo telepresencial”, explica Dra. Amanda Furlan, CRM 190952-SP, Coordenadora Médica da BNG Hub na unidade de Telemedicina Colatina.
Segundo ela, a prioridade não era apenas conectar o paciente a um especialista à distância, mas preparar a equipe da unidade para sustentar a operação na rotina, sem depender de suporte pontual. Esse acompanhamento simultâneo às duas pontas, equipe presencial e especialista remoto, é o que sustenta a regularidade das agendas depois que a implantação termina. É o mesmo desenho aplicado nas demais unidades atendidas pela plataforma de telemedicina da BNG LinkCare.
Que indicadores a gestão municipal consegue acompanhar
Já nos 30 primeiros dias de atendimento, a operação produz indicadores que interessam a quem planeja, contrata e presta contas da rede.
Produção ambulatorial no próprio território. Foram 310 consultas especializadas realizadas dentro do município em 30 dias, com 59% delas em neurologia. É oferta que, sem o modelo telepresencial, dependeria de pactuação com o município de referência.
Encaminhamentos para fora do território. Consultas resolvidas na unidade deixam de gerar deslocamento custeado pela rede, o que torna mensuráveis a despesa de transporte sanitário e o absenteísmo associado à viagem. É um indicador que a secretaria passa a conseguir acompanhar mês a mês, por especialidade.
Tempo até o atendimento especializado. Com a oferta dentro do território, o intervalo entre o encaminhamento e a consulta com o especialista passa a depender da agenda local, e não da pactuação com outro município. É a métrica mais sensível em neurologia pediátrica, pelo peso do acompanhamento em tempo oportuno.
A coordenação registra ainda retorno positivo da equipe local e do contratante sobre o desempenho dos profissionais, e aponta como passo seguinte sustentar a oferta em regime, mantendo a regularidade das agendas por especialidade.
O que torna o modelo replicável em outros municípios
O que Colatina precisou ter é o que a maioria das redes de porte médio já tem: uma unidade de saúde em funcionamento e uma demanda por especialidades que a própria rede conhece. O restante é o que a BNG Hub, por meio da BNG LinkCare, ajuda a estruturar, lado a lado da regulação municipal.
Como a BNG Hub apoia a operação:
- A rede de especialistas. É a oferta que a escala do município não sustentaria no próprio quadro, incluindo subespecialidades como a neurologia pediátrica.
- A capacitação da equipe local. Preparar quem recebe o paciente para conduzir o atendimento ao lado dele e apoiar o especialista durante a avaliação.
- A plataforma e o suporte às duas pontas. Apoio contínuo à equipe da unidade e ao especialista remoto, ao longo de toda a operação.
- A condução das agendas. Dentro dos critérios de encaminhamento definidos pela rede.
O que permanece com a rede municipal:
- A unidade e a definição da prioridade clínica. O espaço de atendimento e o critério de quem entra na fila de cada especialidade, que é competência da regulação municipal.
- A coordenação do cuidado na Atenção Primária. O retorno do paciente ao acompanhamento local depois da consulta com o especialista.
A divisão entre o que a operação estrutura e o que permanece com a rede é o que torna o modelo aplicável em outros municípios de porte médio: a secretaria não precisa montar um serviço de atenção especializada do zero, e sim conectar à estrutura que já mantém uma operação que chega pronta. O ganho de cada rede acompanha o seu perfil epidemiológico, a organização da regulação e a distância até o município de referência.
Qual é a meta da sua rede para os próximos 12 meses em acesso à atenção especializada?
Fale com a BNG Hub e avalie como estruturar, na sua região, um modelo de telemedicina como o que está em operação em Colatina.



