No sábado, 10 de outubro de 2026, o IOU Unicamp, em Campinas, recebeu o Encontro Paulista sobre Formação em Cirurgia Geral e Especialidades Cirúrgicas. Organizado pelo Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, o evento ocupou o dia inteiro, das 7h45 às 17h45. Passaram pelo palco representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), da Comissão Estadual de Residência Médica de São Paulo (CEREM SP), de 12 sociedades de especialidades cirúrgicas e de seis programas paulistas de residência em Cirurgia Geral.
Entre os convidados estava o Dr. Silvio Possa, Gerente de Novos Negócios da BNG Hub, que apresentou a palestra “Como o Mercado Recebe os Especialistas”. A participação aconteceu a convite do Dr. Gustavo Pereira Fraga, Professor Titular de Cirurgia do Trauma e coordenador da Disciplina de Cirurgia do Trauma (DCT) da FCM Unicamp. A palestra somou ao debate sobre residência e ensino a perspectiva de quem organiza equipes cirúrgicas e acompanha onde o especialista formado é contratado.
Unicamp: 60 anos de universidade e meio milhão de cirurgias no HC
O encontro aconteceu na semana em que a Unicamp completou 60 anos. A universidade foi criada oficialmente em 5 de outubro de 1966, segundo a revista Pesquisa FAPESP. Na véspera do evento, o Hospital de Clínicas da Unicamp celebrou 41 anos de atividades com a marca de mais de 500 mil cirurgias realizadas desde 1985 e mais de 8 milhões de pacientes atendidos. O hospital tem 485 leitos, 85 deles de UTI, e é local de trabalho e aprendizado de mais de 5 mil pessoas entre alunos, residentes, funcionários e docentes, segundo o próprio HC.
A cerimônia de abertura reuniu as três instâncias da FCM que respondem pela formação dos cirurgiões da casa: o diretor da faculdade, Prof. Dr. Erich de Paula; o chefe do Departamento de Cirurgia, Prof. Dr. Alfio José Tincani; e a coordenadora da Comissão de Residência Médica (COREME), Profa. Dra. Marilda Mazalli. O Prof. Tincani também conduziu o encerramento do dia.
Residência em Cirurgia Geral: o profissional que o Brasil precisa
“Formamos o profissional que o Brasil precisa?” A pergunta dava título a um dos blocos da manhã e resume o que levou a Campinas coordenadores de residência, entidades médicas e as comissões que regulam a formação no país. O dia começou pela história da especialidade, com o Prof. Dr. Antônio R. Braga Neto, da UFRJ e da Unirio, e a palestra “Quando a Cirurgia viu nascer a Medicina”. Em seguida, a conversa passou aos números que orientam a abertura de vagas.
O Prof. Dr. Ramiro Colleoni Neto, da Unifesp, trouxe o recorte das áreas cirúrgicas na Demografia Médica 2025. Pela Comissão Estadual de Residência Médica, o Dr. Paulo Fernando Constancio de Souza mostrou como estão distribuídas as vagas cirúrgicas em São Paulo, e pela Comissão Nacional, o Prof. Dr. Rodrigo Cariri Chalegre de Almeida falou das perspectivas abertas pelo programa federal Mais Especialistas.
A segunda parte da manhã olhou para o treinamento. O Prof. Dr. Paulo Roberto Corsi, da Santa Casa de São Paulo, discutiu como a matriz de competências da Cirurgia Geral se aplica no dia a dia dos programas, e Rodrigo Pinheiro, da Endocompany, apresentou o uso da simulação na formação, do procedimento básico à cirurgia robótica. Depois, seis programas de residência do estado contaram como formam seus cirurgiões gerais: FMUSP, Unifesp, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, Faculdade de Medicina de Jundiaí e a própria Unicamp, representada pelo Prof. Dr. Elcio S. Hirano. A moderação reuniu professores da FMUSP, da USF, da Unirio e da Academia Nacional de Medicina, entre eles o Prof. Dr. Éverson L. A. Artifon e o Prof. Dr. José Pinhata Otoch.
Especialidades cirúrgicas: do reconhecimento à formação em cada área
A tarde começou pela regulação. Representando o CFM e a AMB, o Prof. Dr. Gerson Junqueira Júnior apresentou a visão do Conselho Federal de Medicina sobre especialidades e áreas de atuação cirúrgicas, em sessão presidida pelo Prof. Dr. Ubirajara Ferreira, da FCM Unicamp. A fala explicou o papel da Comissão Mista de Especialidades, que reúne CFM, AMB e CNRM e define os critérios para criar e reconhecer especialidades no país.
Na sequência, 12 sociedades mostraram como está a formação em suas áreas, da otorrinolaringologia à cirurgia torácica, passando por urologia, ortopedia, coloproctologia, cirurgia plástica, cirurgia vascular, ginecologia e obstetrícia, cirurgia pediátrica, cabeça e pescoço, cirurgia cardiovascular e cirurgia digestiva. Cinco dos representantes são docentes da FCM Unicamp: o Prof. Dr. Arthur Menino Castilho, pela otorrinolaringologia; o Prof. Dr. Fábio H. Menezes, pela cirurgia vascular; a Profa. Dra. Daniela A. Y. Gomes, pela ginecologia e obstetrícia; o Prof. Dr. Nelson A. Andreollo, pela cirurgia digestiva; e o Prof. Dr. Ricardo Kalaf Mussi, pela cirurgia torácica. Os demais vieram da Unifesp, da FMUSP, do Hospital Beneficência Portuguesa, da Rede Mário Gatti, de Presidente Prudente e do Rio de Janeiro. A moderação ficou com o Prof. Dr. Bernardo Mazzini Ketzer, da Unisa, e a Profa. Dra. Raquel Franco Leal, da FCM Unicamp.
A palestra do Dr. Silvio Possa fechou essa sequência. Depois dela, professores, preceptores, gestores e residentes debateram os temas do dia, com mediação dos professores Agrício N. Crespo e Maurício Etchebehere, da FCM Unicamp. O encontro terminou com a Aula Magna “A História da Cirurgia”, do Prof. Dr. Flávio A. Quilici, ex-aluno da Unicamp, presidida pelo Prof. Dr. Murillo Utrini, do HC Unicamp.
Dr. Silvio Possa: como o mercado recebe os especialistas
Formado pela Faculdade de Medicina de Sorocaba, da PUC-SP, com residência em pediatria, Dr. Silvio Possa é Gerente de Novos Negócios da BNG Hub, onde atua na implantação de equipes médicas especializadas, da atenção primária à alta complexidade. Antes, construiu a carreira na gestão de serviços de saúde: foi gestor de unidade avançada do Hospital Israelita Albert Einstein, gerente médico do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo e diretor técnico do CEJAM e do Grupo NotreDame Intermédica, além de ter atuado na gestão de unidades básicas de saúde e de pronto atendimento. É também professor do Insper.
Em 2008, esteve à frente da inauguração do Hospital Municipal do M’Boi Mirim, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, projeto que levou o padrão de atendimento do Einstein à população em parceria com o poder público e com o CEJAM. A trajetória está contada na entrevista do Dr. Silvio Possa à Rádio Central sobre saúde pública.
Na Unicamp, ele levou para a discussão sobre formação a pergunta de quem contrata: onde o cirurgião formado vai trabalhar. O ponto de partida foi a distribuição dos cirurgiões gerais no país. Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, da FMUSP com a AMB, a média nacional é de 20,89 cirurgiões gerais por 100 mil habitantes, e 17 unidades da federação ficam abaixo dela. O Distrito Federal tem 50,72; o Pará, 8,73. A leitura da palestra foi que o Brasil tem um problema de distribuição mais do que de quantidade, e que levar o cirurgião ao interior exige estrutura em volta dele. “Cirurgiões não operam no vácuo”, dizia um dos slides.
Para mostrar onde esse profissional é absorvido, Dr. Silvio dividiu o mercado paulista em cinco segmentos, cada um com seu perfil de contratação: hospitais privados premium, redes suplementares verticalizadas, serviços do SUS geridos por Organizações Sociais de Saúde, gestão pública direta e hospitais universitários, e hospitais públicos e filantrópicos do interior, como as Santas Casas. Na avaliação dele, a residência tende a preparar o cirurgião para o modelo premium e universitário, com foco em robótica e superespecialização, enquanto a absorção do mercado se concentra nas portas de urgência e no interior, que pedem um cirurgião com autonomia para emergências e volume cirúrgico alto. Um dos slides resumia: “Formamos para um mercado de exceção, mas a gravidade real do emprego está na urgência e no interior.”
A demanda dos municípios pequenos apareceu em números próprios. Um levantamento de inteligência de mercado da BNG Hub identificou 49 municípios que licitaram serviços de cirurgia geral entre janeiro e agosto de 2026. Desses, 26 (53,1%) têm menos de 100 mil habitantes.
Para fixar o cirurgião nessas regiões, a palestra trouxe referências internacionais: os programas de Rural Surgical Training da Austrália e do Reino Unido, com rotações rurais antes da superespecialização; as Rural Surgery Tracks dos Estados Unidos e do Canadá, com estágios em hospitais comunitários; e o modelo 5+3 e o Pairing Program da China, em que hospitais terciários apoiam unidades do interior. A conclusão foi organizada em quatro pilares:
- Governança e previsibilidade das escalas.
- Segurança institucional e jurídica na relação entre médico e instituição.
- Formação técnica com suporte e telementoria entre o centro de referência e o hospital do interior.
- Acolhimento do profissional e da família, com moradia, trabalho para o cônjuge, escola para os filhos e integração com a comunidade.
Gestão de equipes cirúrgicas: como a BNG Hub atua
Os quatro pilares apresentados na Unicamp fazem parte do trabalho que a BNG Hub desenvolve junto a hospitais e gestões municipais, dentro dos critérios definidos por cada gestão local. Na prática, a BNG Hub atua com as equipes de cada instituição na organização das escalas, no desenho de fluxos e protocolos e no acompanhamento de indicadores. O app Minha Escala apoia a organização dos plantões e da carga horária, e a BNG Health cuida da gestão documental das equipes e da verificação do Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
Sua instituição precisa estruturar ou ampliar a cobertura cirúrgica? Converse com a BNG Hub sobre gestão de equipes cirúrgicas.
*Palestra “Como o Mercado Recebe os Especialistas”, apresentada pelo Dr. Silvio Possa no Encontro Paulista de Cirurgia Geral e Especialidades, na Unicamp, em 10 de outubro de 2026. A BNG Hub agradece ao Dr. Gustavo Pereira Fraga e à Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp pelo convite.



