BNG Hub inicia atuação em Cirurgia Geral e Cirurgia Torácica no Hospital Ouro Verde, em Campinas

Desde 1º de setembro de 2026, a BNG Hub atua nas especialidades de Cirurgia Geral e Cirurgia Torácica do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (CHPEO), conhecido como Hospital Ouro Verde, em Campinas (SP). A atuação começou com a mesma equipe médica que já atendia a unidade e com as escalas que estavam em funcionamento, em conjunto com a gestão do hospital. O que é o Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi O Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (CHPEO), conhecido como Hospital Ouro Verde, é um hospital geral público de Campinas em funcionamento desde 2008. Segundo o CNES (código 6053858, competência setembro de 2026), a unidade tem 175 leitos, todos SUS, sem contar os de UTI: 50 cirúrgicos: 26 de Cirurgia Geral, 22 de Ortopedia e Traumatologia e 2 de Otorrinolaringologia; 104 clínicos: 74 de Clínica Geral, 20 de Saúde Mental e 10 de Neurologia; 11 de Pediatria Clínica; 10 de hospital-dia, para procedimentos cirúrgicos, diagnósticos e terapêuticos. Além desses, o CHPEO tem 55 leitos de UTI tipo II: 40 adultos e 15 pediátricos. O CHPEO integra a Rede Municipal Dr. Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar, conforme a ficha do estabelecimento no CNES. O papel da Cirurgia Geral e da Cirurgia Torácica em um hospital geral No CHPEO, a Cirurgia Geral ocupa 26 dos 50 leitos cirúrgicos registrados no CNES. Em hospitais com pronto-socorro, é a especialidade de referência para o abdome agudo e atende parte do trauma. Em um hospital geral com pronto-socorro aberto, ter Cirurgia Torácica na própria escala permite que parte dos casos de trauma torácico e de doenças da pleura e do pulmão seja conduzida dentro da unidade, sem aguardar transferência pela central de regulação para um serviço de referência. Por que manter escalas cirúrgicas é um desafio para hospitais públicos O Brasil tem 42.426 cirurgiões gerais em atividade, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, estudo da Faculdade de Medicina da USP com a Associação Médica Brasileira. A média nacional é de 20,89 cirurgiões gerais por 100 mil habitantes, e o estado de São Paulo tem 26,61. Na Demografia Médica 2025, 72,4% dos cirurgiões gerais ouvidos trabalham ao mesmo tempo no SUS e na rede privada, o que torna a compatibilização de horários parte da montagem de qualquer escala. A BNG Hub detalha como acompanha essas equipes no dia a dia em gestão de equipes médicas além do preenchimento de escalas. Como foi a transição das equipes de Cirurgia Geral e Cirurgia Torácica As escalas de Cirurgia Geral e Cirurgia Torácica do CHPEO já estavam estruturadas quando a BNG Hub iniciou a atuação, em 1º de setembro de 2026. Os médicos que faziam os plantões seguiram na equipe, o que manteve no serviço profissionais que conhecem os fluxos internos do hospital e a equipe multiprofissional. Próximos passos: fluxos e protocolos assistenciais A próxima etapa, planejada com a gestão do CHPEO, é a construção dos fluxos e protocolos assistenciais que orientam a atuação da equipe de Cirurgia Geral e Cirurgia Torácica, dentro dos critérios definidos pela unidade. Governança clínica é o conjunto de práticas pelo qual uma instituição de saúde responde pela melhoria contínua da qualidade assistencial e pela segurança do paciente. O conceito foi formulado no sistema público de saúde britânico e publicado por Scally e Donaldson no BMJ, em 1998. Em serviços cirúrgicos, protocolos assistenciais dão à gestão hospitalar indicadores para acompanhar a qualidade ao longo do tempo. O tema é aprofundado no artigo sobre governança clínica em hospitais de alta complexidade. Onde a BNG Hub atua na região de Campinas Na Região Metropolitana de Campinas, a BNG Hub também atua no Hospital Estadual de Sumaré, em Enfermaria Pediátrica, UTI Pediátrica e Ginecologia e Obstetrícia. No estado de São Paulo, a lista inclui o Hospital Paulo Sacramento, em Jundiaí, na Anestesiologia, e o Hospital e Maternidade de Guarulhos, também na Anestesiologia. O portfólio da BNG Hub reúne mais de 400 unidades de saúde geridas. Gestores de hospitais públicos que avaliam apoio na gestão de equipes cirúrgicas podem falar com um especialista da BNG Hub.

Novembro Azul 2026: consulta online e cuidado integral da saúde do homem

O Novembro Azul é a campanha anual de conscientização sobre a saúde do homem no Brasil. A mobilização nasceu ligada à prevenção do câncer de próstata e hoje inclui também doenças crônicas, saúde mental, prevenção de acidentes e a forma como os homens usam os serviços de saúde. Os números do IBGE dão a dimensão do tema. Em 2024, os homens brasileiros viveram em média 6,6 anos menos que as mulheres, e eles também vão menos ao médico. Aproximar o paciente do médico é um dos caminhos para reduzir essa distância. Em 2026, a BNG LinkCare, marca de saúde digital da BNG Hub, participa do Novembro Azul com a campanha “O depois é agora”. De 1º a 30 de novembro, homens podem fazer uma consulta online de saúde do homem por R$ 29,90, pela página da campanha de Novembro Azul. Saúde integral do homem: o que prevê a política nacional No Brasil, a campanha se apoia na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), instituída pelo Ministério da Saúde pela Portaria nº 1.944/2009 e atualizada pela Portaria GM/MS nº 3.562, de 12 de dezembro de 2021. A política organiza o cuidado em cinco eixos temáticos: acesso e acolhimento; sexualidade responsável e planejamento familiar; paternidade e cuidado; doenças prevalentes na população masculina; e prevenção de violências e acidentes. A divisão mostra que as necessidades de saúde dos homens vão além de uma única doença. A PNAISH parte do reconhecimento de que os modos de vida e as condições de trabalho influenciam a forma como cada homem percebe sintomas e decide procurar atendimento. Por isso o acolhimento nos serviços aparece entre os eixos, ao lado da prevenção de doenças, e o Novembro Azul se torna também uma ocasião para discutir como aproximar os homens de um cuidado regular. Saúde do homem em números: expectativa de vida e procura por médico Segundo as Tábuas Completas de Mortalidade do IBGE, divulgadas em novembro de 2025, a expectativa de vida ao nascer no Brasil em 2024 foi de 73,3 anos para os homens e de 79,9 anos para as mulheres. Segundo o instituto, essa desigualdade é influenciada principalmente pelas mortes de homens jovens por causas externas, como homicídios e acidentes. Os homens também consultam menos o médico. Na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, também do IBGE, 69,4% dos homens haviam se consultado com um médico nos 12 meses anteriores à entrevista, contra 82,3% das mulheres, uma diferença de 12,9 pontos percentuais. Por que os homens procuram menos o médico: rotina, acesso e cultura Os homens procuram menos o médico por uma combinação de fatores culturais e de rotina. Um estudo publicado em 2007 nos Cadernos de Saúde Pública ouviu homens com diferentes níveis de escolaridade e identificou a imagem social do homem como invulnerável entre os principais motivos para adiar o cuidado. Entre os entrevistados com menor escolaridade, a coincidência entre o horário de trabalho e o de atendimento também apareceu como barreira. Jornadas extensas, trabalho em turnos e longos deslocamentos ampliam esse descompasso, que é comum a todo o setor de saúde. A distância até os serviços e a distribuição desigual de médicos também pesam. Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, estudo da Faculdade de Medicina da USP com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira, o país tem 2,98 médicos por mil habitantes, mas a taxa vai de 1,7 no Norte a 3,77 no Sudeste. Há também um componente cultural. A ideia de que suportar o desconforto ou resolver os problemas sozinho é sinal de força leva parte dos homens a adiar a consulta, padrão que os estudos descrevem como sociocultural e não como traço de todos eles. Campanhas como o Novembro Azul levam a informação. Para que ela se transforme em consulta, o atendimento precisa caber na rotina de quem trabalha, e horários estendidos e telemedicina ampliam as portas de entrada da rede. Telemedicina: o que a consulta online resolve e quando procurar o pronto-socorro Para quem tem horários pouco flexíveis ou mora longe dos serviços, a telemedicina permite falar com um médico por vídeo, sem precisar se deslocar até uma unidade de saúde. Pela consulta remota, é possível tirar dúvidas, apresentar sintomas e conversar sobre os cuidados de rotina adequados à idade. Depois de avaliar o caso, o médico pode dar orientações, indicar tratamento quando apropriado, solicitar exames, recomendar acompanhamento ou encaminhar o paciente para atendimento presencial. A consulta online não substitui o exame físico, como o toque retal, nem o acompanhamento com o urologista quando ele for indicado. No Brasil, a telessaúde é autorizada e disciplinada pela Lei nº 14.510, de 27 de dezembro de 2022. A prática da telemedicina também é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Resolução nº 2.314/2022, que estabelece parâmetros para o atendimento médico a distância, incluindo responsabilidades profissionais, registro das informações clínicas, confidencialidade e proteção dos dados dos pacientes. Quando procurar atendimento presencial imediato A consulta online não substitui o atendimento de emergência. Em casos de dor no peito, falta de ar intensa, sinais de AVC (como fraqueza em um lado do corpo, boca torta ou dificuldade para falar), sangramentos importantes ou acidentes, procure imediatamente um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192). Novembro Azul na BNG LinkCare: como funciona a consulta por R$ 29,90 De 1º a 30 de novembro de 2026, a consulta online de saúde do homem da BNG LinkCare sai de R$ 49,90 por R$ 29,90. A condição é exclusiva para pacientes homens, e o acesso é feito pela página da campanha de Novembro Azul, que já aplica o cupom NOVEMBROAZUL26. O atendimento é feito pelo médico disponível no Pronto Atendimento Digital no momento do acesso, 24 horas por dia, pelo celular ou computador. A consulta segue um roteiro preventivo voltado à saúde do homem, e o valor promocional vale apenas para esse fim. O preço se refere somente à consulta: os exames, quando solicitados, não estão incluídos e podem ser feitos no laboratório de preferência do paciente.

Desafios da gestão hospitalar em 2027: o que o CONAHP 2026 revelou

Nos dias 14 e 15 de outubro, o Transamerica Expo Center, em São Paulo, recebeu o CONAHP 2026, o Congresso Nacional de Hospitais Privados. Promovido pela Anahp, associação que reúne 197 hospitais, o congresso existe desde 2011 e é definido pela associação como um dos principais encontros de gestão hospitalar da América Latina. Entre 2022 e 2025, suas edições presenciais reuniram 23.240 congressistas, entre executivos, especialistas, autoridades públicas e empresas do setor. Na edição que marcou os 25 anos da Anahp, a BNG Hub levou ao seu estande uma pergunta direta: qual será o maior desafio da gestão hospitalar em 2027? Quem passou pelo estande podia deixar sua resposta em um mural interativo. Foram 175 votos. O que o mural do CONAHP mostrou Completar escalas com médicos qualificados liderou, com 49 votos (28%), seguido de medir e agir sobre indicadores assistenciais, com 38 (22%). Juntas, as duas opções somaram metade das respostas. Depois vieram segurança do paciente (25), custos elevados e ineficiência (23), tirar os protocolos do papel (22) e continuidade do cuidado (18). Texto alternativo: Resultado do mural da BNG Hub no CONAHP 2026 sobre o maior desafio da gestão hospitalar em 2027. Completar escalas com médicos qualificados, 49 votos; medir e agir sobre indicadores assistenciais, 38; segurança do paciente, 25; custos elevados e ineficiência, 23; tirar os protocolos do papel, 22; continuidade do cuidado, 18.   Uma votação em mural não tem valor estatístico e, como o CONAHP é o congresso da rede hospitalar privada, o resultado expressa principalmente a visão de quem atua em instituições privadas. Ainda assim, ele dialoga com o Observatório Anahp 2026: nos hospitais associados, o leito gira mais rápido enquanto o dinheiro demora mais a chegar ao caixa. Indicador (hospitais Anahp) 2024 2025 Média de permanência 3,99 dias 3,76 dias Taxa de ocupação 78,97% 77,79% Glosa inicial 15,89% 15,93% Prazo médio de recebimento 69,91 dias 77,35 dias Margem EBITDA média 11,68% 11,05% Fonte: Observatório Anahp 2026 e Balanço Observatório Anahp, 9ª edição. Glosa inicial é o valor da conta hospitalar que a operadora contesta e que ainda está em negociação com o hospital. Por que é difícil completar a escala se o Brasil nunca teve tantos médicos? O desafio mais votado no mural esbarra em uma questão de distribuição. A Demografia Médica no Brasil 2025, da Faculdade de Medicina da USP com a AMB e o Ministério da Saúde, projetou 635.706 médicos em atividade no país até o fim de 2025, mas 48 cidades com mais de 500 mil habitantes concentram 58% deles e 31% da população. Além disso, 72,4% dos cirurgiões ouvidos pelo estudo atuam nos setores público e privado, o que faz a escala de um hospital depender da agenda de outras instituições. Com permanência média de 3,76 dias nos hospitais Anahp, cada lacuna na escala interrompe um fluxo intenso. No Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, referência da rede pública em Belo Horizonte, a BNG Hub atua na Cirurgia Vascular com recrutamento especializado, valorização do plantão e fechamento rigoroso das escalas, em alinhamento com a coordenação da unidade. Com a escala completa, os pacientes internados passaram a esperar menos por exames e intervenções. Leia o case. Como transformar indicadores hospitalares em decisão? Segunda opção mais votada no mural, medir e agir sobre indicadores assistenciais responde a uma cobrança que já é pública. Em maio de 2026, o Prêmio Melhores Hospitais Públicos Brasil classificou hospitais do SUS por taxa de mortalidade, tempo médio de permanência, desempenho assistencial, eficiência na gestão e experiência e satisfação dos usuários. Levar esses números para a rotina, porém, ainda é raro: segundo a TIC Saúde 2025, 30% dos hospitais com mais de 50 leitos fizeram análises com big data em 2025. No Hospital Municipal de Pedreira (SP), mantido pela FUNBEPE, a BNG Hub cobre integralmente as escalas da Anestesiologia e acompanha o fluxo cirúrgico e os indicadores da especialidade através da Inteligência Assistencial. O resultado foi uma agenda cirúrgica com menos interrupções, mais procedimentos e menos pacientes precisando operar em cidades vizinhas. Leia o case. Por que os protocolos de segurança não saem do papel? No mural, segurança do paciente (25 votos) e tirar os protocolos do papel (22) apareceram separadas, mas apontam para o mesmo ponto: aplicar no plantão o que está escrito. Na avaliação nacional da Anvisa sobre práticas de segurança em hospitais com UTI, a implantação do protocolo de prevenção de infecção de sítio cirúrgico ficou quatro anos seguidos com o pior desempenho até registrar melhora expressiva em 2025. O tema aparece em detalhe no texto sobre como transformar protocolos em prática à beira do leito, abordagem que a BNG Hub também levou ao CONAHP. No Hospital Estadual de Sumaré (SP), eleito em 2026 pela segunda vez o melhor hospital público do país, a BNG Hub apoia desde fevereiro de 2023 a gestão das equipes médicas da UTI Pediátrica e da Enfermaria de Pediatria. Com rotinas construídas junto ao corpo clínico e protocolos formalizados por escrito, a unidade sustentou em seis meses a recertificação ONA e Qmentum, aumentou o giro de leitos e reduziu o tempo médio de internação. Leia o case. De onde vem a pressão financeira nos hospitais? Custos elevados e ineficiência tiveram 23 votos no mural, e a pressão tem origens diferentes em cada setor. Nos filantrópicos, que fizeram 67% dos atendimentos do SUS em oncologia em 2022, o problema central é o financiamento: em levantamento divulgado em 2022, a CMB calculou que a tabela SUS teve reajuste médio de 93,77% desde 1994, contra 636,07% de inflação pelo INPC. Na rede privada, a margem EBITDA média dos hospitais Anahp caiu para 11,05% em 2025, com o caixa pressionado por glosas e prazos de recebimento. Os dois setores convivem ainda com a suspensão de cirurgias. Na Demografia Médica no Brasil 2025, 73% dos cirurgiões relataram ao menos uma cirurgia suspensa nos seis meses anteriores à pesquisa. A maior parte dos motivos é clínica, ligada ao próprio paciente (58,8%), mas parte está na operação: problemas no centro cirúrgico ou na UTI

Governança clínica não se escreve, se opera: como transformar protocolos em prática à beira do leito

Por Dr. Altair Massaro, médico da BNG Hub com mais de 30 anos de experiência em gestão hospitalar e governança clínica, autor do material “Governança clínica não se escreve, se opera”. Muitos hospitais brasileiros já têm uma política de governança clínica aprovada. O desafio que se repete no setor está em outro ponto: demonstrar, com série histórica, o que essa política mudou no desfecho do paciente, no giro do leito e no resultado da instituição. Para o Dr. Altair Massaro, médico da BNG Hub com mais de três décadas dedicadas à gestão hospitalar, essa distância é uma questão de arquitetura. Técnica e boa intenção costumam estar presentes. A qualidade, porém, se decide no cuidado que está acontecendo, e é ali que a política precisa chegar. Governança clínica não se escreve, se opera. A frase dá título ao material escrito pelo Dr. Altair Massaro e resume a abordagem que a BNG Hub levou ao CONAHP 2026, o Congresso Nacional de Hospitais Privados, realizado nos dias 14 e 15 de outubro no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Este artigo aprofunda essa abordagem: por que a governança clínica depende de operação, o que costuma travá-la e quais condições fazem com que ela produza resultado assistencial e financeiro. O documento técnico completo, com o roteiro de implantação em 12 meses, pode ser baixado ao final deste artigo. Por que a governança clínica não se resume a documentos Protocolos, normas, equipamentos e sistemas chegam prontos ao encontro entre o profissional e o paciente. O cuidado é produzido ali, em tempo real, por um médico que decide diante do paciente e por uma equipe de enfermagem que decide à beira do leito. O sanitarista Emerson Merhy chama esse momento de trabalho vivo em ato, e a distinção explica por que um acervo documental completo, sozinho, não garante a qualidade da assistência. Um protocolo pode estar aprovado e publicado e, ainda assim, ter adesão menor no plantão noturno de menor cobertura, com um profissional que ainda não passou pela capacitação daquele fluxo. É uma característica estrutural do trabalho em saúde, comum a todo o setor. A gestão hospitalar tem muitos instrumentos para produzir documentos, políticas e painéis, e menos instrumentos para agir sobre o encontro em que o cuidado acontece. Por isso, a pergunta que mede um projeto de governança clínica é o que mudou na prática assistencial. A contagem de protocolos escritos diz pouco sobre isso. O mesmo raciocínio vale para os indicadores. Medir é produzir o número. Avaliar é julgar esse número contra uma meta declarada e decidir algo a partir dele. Um painel com muitas métricas e nenhuma decisão associada informa, mas não governa. Os desafios que costumam travar a governança clínica Na experiência do Dr. Altair, os projetos de governança clínica tendem a encontrar quatro desafios recorrentes, que aparecem em instituições de todos os portes, inclusive nos centros de referência. Distância entre documento e processo: a instituição acumula protocolos escritos, mas consegue gerenciar de fato apenas uma parte deles. Medição que não gera mudança: alimentar o indicador exige mais esforço do que agir sobre o problema que ele mede, e a energia das pessoas mais qualificadas fica presa na coleta de dados. Comitê sem mandato: o colegiado de qualidade é criado, mas, sem escopo de decisão e sem coordenação dedicada, depende da agenda do diretor técnico para manter a cadência. Dado sem tradutor: cada novo indicador precisa passar pela área de tecnologia da informação, e o ciclo de melhoria anda no ritmo da fila de chamados, mais lento que o da clínica. Esses desafios aparecem mesmo onde há esforço e equipe dedicada. A raiz comum está no enquadramento. Tratada como projeto de documentação, com começo e fim, a governança clínica perde força assim que o último protocolo é aprovado. Ela funciona como operação contínua, que precisa de rotina, de dono e de cadência. O que faz a governança clínica produzir resultado A governança clínica só produz resultado quando quatro condições coexistem: um processo assistencial explícito, um mandato formal para intervir nele, um pequeno conjunto de indicadores que a própria equipe consegue alimentar e usar, e o reconhecimento de que parte decisiva do cuidado se governa por acordo, formação e vínculo, fora do alcance da norma. Na prática, isso se traduz em escolhas concretas. Cada protocolo crítico precisa de um dono nominal, de um gatilho objetivo de acionamento e de um prazo máximo de resposta, além de deixar claro em que situações a conduta pode divergir e como a divergência é registrada. O objetivo do protocolo é reduzir a variação que o quadro clínico não explica. Com isso, a equipe ganha tempo e atenção para o que é singular em cada paciente. A peça que mais diferencia um sistema de governança clínica de um acervo documental é a auditoria clínica paritária: a verificação mensal, em prontuário e por amostragem, da adesão aos protocolos, feita por medicina e enfermagem juntas e encerrada com devolutiva direta à unidade auditada, com capacitação no ponto de menor conformidade. Para o Dr. Altair, o passo que comprova que o ciclo funciona é a reauditoria do mesmo item no período seguinte, justamente o mais omitido e o único que demonstra mudança no cuidado. A medição deve começar pequena. A recomendação é escolher um problema concreto, com fronteira definida, e acompanhá-lo com três a cinco indicadores cujo dado saia do prontuário ou do sistema de escalas sem digitação paralela, cada um com responsável nomeado e meta clara. A primeira pauta do colegiado deve ser um gargalo que consome o tempo do próprio corpo clínico, como laudo, leito ou escala. Resolver esse problema no primeiro trimestre é o que abre espaço para tratar de protocolo no segundo.  Escala médica completa: a pré-condição da governança clínica Antes do protocolo, vem a escala. Nenhum projeto de qualidade se sustenta sem cobertura com médicos qualificados, amplitude de especialidades e padrão mínimo de conduta verificável em prontuário. Essa é também uma das dores mais imediatas do gestor hospitalar, porque a falta de médico gera

Na Unicamp, Dr. Silvio Possa e referências da cirurgia brasileira debatem a formação de especialistas

No sábado, 10 de outubro de 2026, o IOU Unicamp, em Campinas, recebeu o Encontro Paulista sobre Formação em Cirurgia Geral e Especialidades Cirúrgicas. Organizado pelo Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, o evento ocupou o dia inteiro, das 7h45 às 17h45. Passaram pelo palco representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), da Comissão Estadual de Residência Médica de São Paulo (CEREM SP), de 12 sociedades de especialidades cirúrgicas e de seis programas paulistas de residência em Cirurgia Geral. Entre os convidados estava o Dr. Silvio Possa, Gerente de Novos Negócios da BNG Hub, que apresentou a palestra “Como o Mercado Recebe os Especialistas”. A participação aconteceu a convite do Dr. Gustavo Pereira Fraga, Professor Titular de Cirurgia do Trauma e coordenador da Disciplina de Cirurgia do Trauma (DCT) da FCM Unicamp. A palestra somou ao debate sobre residência e ensino a perspectiva de quem organiza equipes cirúrgicas e acompanha onde o especialista formado é contratado. Unicamp: 60 anos de universidade e meio milhão de cirurgias no HC O encontro aconteceu na semana em que a Unicamp completou 60 anos. A universidade foi criada oficialmente em 5 de outubro de 1966, segundo a revista Pesquisa FAPESP. Na véspera do evento, o Hospital de Clínicas da Unicamp celebrou 41 anos de atividades com a marca de mais de 500 mil cirurgias realizadas desde 1985 e mais de 8 milhões de pacientes atendidos. O hospital tem 485 leitos, 85 deles de UTI, e é local de trabalho e aprendizado de mais de 5 mil pessoas entre alunos, residentes, funcionários e docentes, segundo o próprio HC. A cerimônia de abertura reuniu as três instâncias da FCM que respondem pela formação dos cirurgiões da casa: o diretor da faculdade, Prof. Dr. Erich de Paula; o chefe do Departamento de Cirurgia, Prof. Dr. Alfio José Tincani; e a coordenadora da Comissão de Residência Médica (COREME), Profa. Dra. Marilda Mazalli. O Prof. Tincani também conduziu o encerramento do dia. Residência em Cirurgia Geral: o profissional que o Brasil precisa “Formamos o profissional que o Brasil precisa?” A pergunta dava título a um dos blocos da manhã e resume o que levou a Campinas coordenadores de residência, entidades médicas e as comissões que regulam a formação no país. O dia começou pela história da especialidade, com o Prof. Dr. Antônio R. Braga Neto, da UFRJ e da Unirio, e a palestra “Quando a Cirurgia viu nascer a Medicina”. Em seguida, a conversa passou aos números que orientam a abertura de vagas. O Prof. Dr. Ramiro Colleoni Neto, da Unifesp, trouxe o recorte das áreas cirúrgicas na Demografia Médica 2025. Pela Comissão Estadual de Residência Médica, o Dr. Paulo Fernando Constancio de Souza mostrou como estão distribuídas as vagas cirúrgicas em São Paulo, e pela Comissão Nacional, o Prof. Dr. Rodrigo Cariri Chalegre de Almeida falou das perspectivas abertas pelo programa federal Mais Especialistas. A segunda parte da manhã olhou para o treinamento. O Prof. Dr. Paulo Roberto Corsi, da Santa Casa de São Paulo, discutiu como a matriz de competências da Cirurgia Geral se aplica no dia a dia dos programas, e Rodrigo Pinheiro, da Endocompany, apresentou o uso da simulação na formação, do procedimento básico à cirurgia robótica. Depois, seis programas de residência do estado contaram como formam seus cirurgiões gerais: FMUSP, Unifesp, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, Faculdade de Medicina de Jundiaí e a própria Unicamp, representada pelo Prof. Dr. Elcio S. Hirano. A moderação reuniu professores da FMUSP, da USF, da Unirio e da Academia Nacional de Medicina, entre eles o Prof. Dr. Éverson L. A. Artifon e o Prof. Dr. José Pinhata Otoch. Especialidades cirúrgicas: do reconhecimento à formação em cada área A tarde começou pela regulação. Representando o CFM e a AMB, o Prof. Dr. Gerson Junqueira Júnior apresentou a visão do Conselho Federal de Medicina sobre especialidades e áreas de atuação cirúrgicas, em sessão presidida pelo Prof. Dr. Ubirajara Ferreira, da FCM Unicamp. A fala explicou o papel da Comissão Mista de Especialidades, que reúne CFM, AMB e CNRM e define os critérios para criar e reconhecer especialidades no país. Na sequência, 12 sociedades mostraram como está a formação em suas áreas, da otorrinolaringologia à cirurgia torácica, passando por urologia, ortopedia, coloproctologia, cirurgia plástica, cirurgia vascular, ginecologia e obstetrícia, cirurgia pediátrica, cabeça e pescoço, cirurgia cardiovascular e cirurgia digestiva. Cinco dos representantes são docentes da FCM Unicamp: o Prof. Dr. Arthur Menino Castilho, pela otorrinolaringologia; o Prof. Dr. Fábio H. Menezes, pela cirurgia vascular; a Profa. Dra. Daniela A. Y. Gomes, pela ginecologia e obstetrícia; o Prof. Dr. Nelson A. Andreollo, pela cirurgia digestiva; e o Prof. Dr. Ricardo Kalaf Mussi, pela cirurgia torácica. Os demais vieram da Unifesp, da FMUSP, do Hospital Beneficência Portuguesa, da Rede Mário Gatti, de Presidente Prudente e do Rio de Janeiro. A moderação ficou com o Prof. Dr. Bernardo Mazzini Ketzer, da Unisa, e a Profa. Dra. Raquel Franco Leal, da FCM Unicamp. A palestra do Dr. Silvio Possa fechou essa sequência. Depois dela, professores, preceptores, gestores e residentes debateram os temas do dia, com mediação dos professores Agrício N. Crespo e Maurício Etchebehere, da FCM Unicamp. O encontro terminou com a Aula Magna “A História da Cirurgia”, do Prof. Dr. Flávio A. Quilici, ex-aluno da Unicamp, presidida pelo Prof. Dr. Murillo Utrini, do HC Unicamp. Dr. Silvio Possa: como o mercado recebe os especialistas Formado pela Faculdade de Medicina de Sorocaba, da PUC-SP, com residência em pediatria, Dr. Silvio Possa é Gerente de Novos Negócios da BNG Hub, onde atua na implantação de equipes médicas especializadas, da atenção primária à alta complexidade. Antes, construiu a carreira na gestão de serviços de saúde: foi gestor de unidade avançada do Hospital Israelita Albert Einstein, gerente médico do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo e diretor técnico do CEJAM e do Grupo NotreDame Intermédica, além de ter atuado na gestão de unidades básicas de

Marcamos presença no CONAHP,  um dos eventos mais relevantes de gestão, inovação e saúde do país!

O CONAHP 2026, Congresso Nacional de Hospitais Privados, reuniu nos dias 14 e 15 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo, as lideranças que pensam e constroem o futuro da saúde hospitalar no Brasil. O Time BNG Hub marcou presença com uma mensagem que resume dez anos de trabalho: BNG é gestão de escalas médicas, BNG é soluções de tecnologia, BNG é governança clínica. BNG é tudo. Foram dois dias de estande movimentado do início ao fim, cafés personalizados, dinâmicas interativas nos totens e muito networking com decisores em hospitais, redes e secretarias de saúde. Para a BNG Hub, estar em um dos principais encontros da rede hospitalar privada do país foi também uma forma de apresentar o ecossistema do cuidado ao público presente e levar o nome da empresa Brasil afora. O que é o CONAHP e por que a edição de 2026 foi especial O CONAHP é o congresso promovido pela Anahp, a Associação Nacional de Hospitais Privados, que reúne mais de 200 hospitais de alta complexidade no país. Todos os anos, o evento coloca na mesma sala diretores hospitalares, operadoras, gestores públicos, fornecedores e especialistas para discutir os rumos do setor e, desde 2011, se consolidou como um dos principais pontos de encontro da gestão em saúde no Brasil. O congresso tem como proposta ser o lugar “onde lideranças moldam o futuro da saúde brasileira”. Além das palestras e dos painéis, o evento reúne uma área de exposição com empresas de todo o setor e a tradicional Sessão Pôster, dedicada a trabalhos científicos e com curadoria da FGV EAESP desde 2021. A edição de 2026 teve um peso simbólico: aconteceu no ano em que a Anahp completa 25 anos e, por isso, voltou o olhar para o sistema de saúde dos próximos 25 anos. A programação, segundo cobertura do Futuro da Saúde, foi organizada em cinco eixos: compromissos setoriais, tecnologia e inteligência em saúde, financiamento e sustentabilidade, pessoas, trabalho e liderança, e legitimidade social e impacto. Dentro desses eixos, assuntos como integração público-privada no acesso e na eficiência, coordenação do cuidado, inteligência artificial com agentes, dados e interoperabilidade, pagamento por valor, saúde mental, formação de lideranças, envelhecimento populacional e protagonismo do paciente estiveram em debate. A cerimônia oficial de abertura também marcou a entrega dos Selos Excelência Anahp, nas categorias Compliance, Desfecho, Engajamento, ESG e Qualidade. Governança clínica, IA na saúde e escalas médicas: os temas que movimentaram o estande No CONAHP 2026, a BNG Hub apresentou como o seu ecossistema apoia hospitais e redes públicas e privadas a alcançar eficiência operacional, governança clínica e previsibilidade assistencial. Gestão de escalas médicas, governança clínica e inteligência artificial na saúde estiveram entre os temas que o time levou ao encontro com gestores, lideranças e profissionais do setor. São desafios presentes tanto na rede pública quanto na privada, e é por atuar nos dois contextos que a BNG Hub consegue olhar para essas dores de forma integrada, construindo fluxos assistenciais consistentes junto com cada instituição. Para a BNG Hub, governança clínica não se escreve, se opera. A qualidade é governada antes, e não medida apenas depois, em um ciclo contínuo que começa pela estrutura (quem cuida), com seleção, credenciamento e educação continuada do corpo clínico; passa pelo processo (como se cuida), com protocolos vivos, prescrição orientada e coordenação entre os pontos de atenção; e chega ao resultado (o que mudou), com indicadores assistenciais acompanhados de forma contínua e um ciclo de correção fechado sobre a própria equipe. É assim que protocolos deixam de ser apenas documentos e passam a fazer parte da rotina à beira leito e nos consultórios, com reflexo também nos resultados financeiros do hospital.  Todo esse modelo parte de um princípio que orienta a atuação da BNG Hub: o paciente sempre no centro. É em torno das necessidades dele que a empresa organiza, junto com as equipes de cada instituição, linhas de cuidado com continuidade do início ao fim, protocolos assistenciais gerenciados na prática, apoio diagnóstico integrado ao fluxo, equipes que se organizam conforme a realidade de cada unidade e indicadores com metas claras de melhoria. O que o ecossistema busca é mais segurança e satisfação para o paciente, mais previsibilidade para a operação e menos riscos para o hospital. Dez anos de BNG Hub em números “BNG é tudo” também pode ser contado em números. São 10 anos de atuação e mais de 20 milhões de vidas atendidas. Na gestão de escalas médicas, a BNG Hub administra em média mais de 166 mil plantões por ano, com mais de 12 mil médicos atuantes, dos quais mais de 3 mil têm Registro de Qualificação de Especialista (RQE). A atuação da BNG Hub se distribui pelas três esferas da saúde. Na esfera estadual, são mais de 20 hospitais com gestão em unidades de alta complexidade. Na esfera municipal, mais de 300 unidades entre hospitais, UPAs e UBSs. E na esfera privada, mais de 40 instituições particulares. Foi a presença nos dois lados do sistema, público e privado, que tornou as conversas no CONAHP tão ricas: muitos dos desafios discutidos nos painéis sobre financiamento, pessoas e tecnologia são estruturais e compartilhados entre hospitais privados e redes públicas, e a BNG Hub atua lado a lado com a gestão local em ambos os contextos, fortalecendo a estrutura que cada instituição já tem. Na leitura do Dr. Silvio Possa, responsável pela Gestão Técnica e Novos Negócios da BNG Hub, é essa integração que faz a diferença. “Todo gestor sabe que um hospital precisa de mais do que escalas completas: precisa de governança clínica na prática. Na BNG Hub, unimos a gestão de estrutura do cuidado, tratando a segurança do paciente, o uso racional de recursos e a garantia de entrega de valor como uma só responsabilidade”, afirma. O que fica do CONAHP 2026 para a BNG Hub O saldo dos dois dias no Transamerica Expo Center foi de conexões de valor, no melhor sentido da expressão. Gestores que conheceram a BNG Hub pela primeira vez, instituições que já

A BNG Hub faz parte da Pediatria do Hospital Estadual de Sumaré, desde 2022 o melhor hospital público do Brasil 

O Hospital Estadual de Sumaré (HES) é o melhor hospital público do Brasil pela segunda vez. O hospital liderou a primeira edição do Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, em 8 de novembro de 2022, e voltou ao primeiro lugar na edição anunciada em 29 de maio de 2026, na sede da OPAS/OMS, em Brasília. O levantamento é do Ibross (Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde), em parceria com OPAS/OMS, Instituto Ética Saúde, Conass e Conasems, e avaliou 5.279 hospitais do SUS até chegar aos dez primeiros colocados. A BNG Hub faz parte dessa operação: desde fevereiro de 2023, é parceira de gestão das equipes médicas da UTI Pediátrica e da Enfermaria de Pediatria do hospital. Já nos primeiros seis meses de trabalho conjunto, a unidade avançou em certificação de qualidade, giro de leito e tempo de internação. A BNG Hub é uma empresa de gestão em saúde que atua em parceria com hospitais e operadoras, integrando coordenação clínica, governança de dados assistenciais e gestão de equipes médicas. O que a BNG Hub faz na Pediatria do Hospital Estadual de Sumaré? A avaliação do Ibross, conduzida com apoio do Ipead/UFMG e do Instituto DataSenado, foi além da estrutura física: pesou acreditação hospitalar, taxa de mortalidade ajustada, internações de alta complexidade, leitos de UTI, taxa de ocupação, tempo médio de permanência, compliance institucional e satisfação dos usuários. São indicadores que se constroem plantão a plantão, e é nesse terreno que a parceria com a BNG Hub trabalha. Segundo o Departamento de Pediatria da FCM Unicamp, a pediatria do HES reúne 29 leitos de enfermaria, sendo 2 de isolamento, e 7 leitos de UTI pediátrica, sendo 1 de isolamento, com cerca de 1.150 pacientes por ano na enfermaria e 170 por ano na UTI. A unidade tem vínculo formal com o departamento e é campo de residência médica, com estágios em Pediatria Geral no segundo e no terceiro ano. Por que um hospital de referência busca uma parceria de gestão? Em uma unidade desse porte, o desafio permanente não é criar qualidade, é mantê-la em escala. Isso significa documentação assistencial atualizada diante da rotatividade natural das equipes, cobertura médica previsível e médicos e enfermagem trabalhando sobre o mesmo plano de cuidado, paciente a paciente. Foi esse o cenário que orientou o trabalho da BNG Hub na Pediatria do HES, com três prioridades definidas junto ao corpo assistencial já existente: dar previsibilidade à escala, documentar os protocolos em uso e ampliar os espaços de decisão conjunta entre as categorias profissionais envolvidas no cuidado. Quais frentes a parceria colocou em prática? Construção conjunta das rotinas: as definições partiram do diálogo direto com os profissionais da unidade, tomando o conhecimento clínico acumulado pelo grupo como ponto de partida. Visitas multidisciplinares: rondas conjuntas passaram a integrar médicos, enfermagem, fisioterapia, farmacêutico clínico e outros profissionais da equipe assistencial, reunindo diferentes especialidades em torno de um plano de cuidado único para cada paciente. Documentação dos protocolos: os fluxos de atendimento já praticados foram formalizados por escrito, dando ao time uma referência técnica comum para a decisão clínica. A adoção foi progressiva, e a experiência clínica já consolidada do grupo acelerou a incorporação das novas práticas, que viraram rotina ao longo dos meses seguintes. Que resultados a Pediatria do HES alcançou em seis meses? Com os protocolos documentados e a previsibilidade da escala ampliada, a unidade avançou em três indicadores relevantes de qualidade assistencial. Indicador O que mudou na prática Certificação de qualidade Protocolos documentados e auditáveis, sustentando a recertificação ONA e Qmentum Giro de leito Leitos disponíveis mais rapidamente na UTI e na enfermaria, com ganho de capacidade sem ampliação de estrutura Tempo de internação Redução do tempo médio, com a cânula nasal de alto fluxo incorporada ao protocolo Acreditação ONA e Qmentum A unidade obteve selo de qualidade e recertificação nos programas ONA (Organização Nacional de Acreditação) e Qmentum (Accreditation Canada International). A ONA avalia hospitais brasileiros em três níveis crescentes de exigência, do cumprimento de padrões básicos de segurança e gestão até a excelência assistencial, com auditorias independentes renovadas periodicamente. A Qmentum, metodologia canadense da Accreditation Canada aplicada em mais de 40 países, examina governança clínica, adesão a práticas baseadas em evidência e qualidade da gestão hospitalar. Para uma unidade da rede pública, as duas certificações funcionam como validação externa de que a assistência prestada na pediatria do HES atende a padrões reconhecidos nacional e internacionalmente. Giro de leito Com leitos disponíveis mais rapidamente, a UTI Pediátrica e a Enfermaria ampliaram a capacidade de atendimento sem aumento de estrutura. Em uma unidade com 7 leitos de UTI pediátrica e 29 de enfermaria, cada leito liberado com segurança significa uma criança a mais atendida na região. Tempo de internação e cânula nasal de alto fluxo A queda no tempo médio de internação tem um destaque técnico: a entrada da terapia de oxigenação por cânula nasal de alto fluxo no protocolo. O recurso oferece oxigênio aquecido e umidificado em fluxo elevado, reduzindo o esforço respiratório da criança e permitindo, em parte dos casos, tratar quadros respiratórios sem recorrer a suportes mais invasivos. “Com o alinhamento da equipe, a implantação de protocolos como o cateter de alto fluxo e a realização de visitas multidisciplinares, alcançamos em seis meses o grau de eficiência que comumente leva um ano. O resultado mais gratificante foi ver a melhora dos indicadores de mortalidade e a recertificação ONA e Qmentum do hospital.” A avaliação é da Dra. Juliana Carvalho, CRM-SP 89109, coordenadora médica da BNG Hub no HES. O que vem a seguir: inteligência clínica e cuidado humanizado A parceria projeta, junto ao hospital, três novas frentes. A primeira é a instalação de uma plataforma de inteligência clínica com base de dados de terapia intensiva, que permite comparar os indicadores da unidade com os de hospitais de perfil semelhante, ajustados pela gravidade dos pacientes, orientando decisões clínicas e de gestão com base em dados. As outras duas olham para a experiência da criança internada. O programa “Hora do Soninho” protege o sono

Outubro Rosa 2026: BNG LinkCare oferece consulta médica online por um preço mais acessível

No Outubro Rosa de 2026, a BNG LinkCare, marca de telemedicina da BNG Hub, oferece consulta médica online por um valor ainda mais acessível, até 31 de outubro. A ação se soma à mobilização do Outubro Rosa, que reúne instituições de saúde, empresas e gestores públicos em torno da conscientização sobre o câncer de mama e do diagnóstico precoce. A iniciativa usa o mês da campanha para incentivar que a mulher olhe para a própria saúde como um todo: conversar com um médico, cuidar da prevenção e manter a rotina de exames em dia quando houver indicação. O objetivo é reduzir barreiras de tempo, deslocamento e custo para que esse cuidado aconteça. Por que o Outubro Rosa é importante para a saúde da mulher? O Outubro Rosa reforça a prevenção, a detecção precoce e o tratamento do câncer de mama e do câncer do colo do útero, como destaca o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais frequente entre as mulheres brasileiras. As estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026 a 2028 apontam 78.610 casos novos de câncer de mama por ano, o que corresponde a cerca de 30% dos casos novos de câncer em mulheres. Pela abrangência e pela visibilidade que alcança no país, o Outubro Rosa é também uma oportunidade para ampliar a atenção à saúde da mulher de forma integral, com informação, consulta médica e prevenção. O cuidado com a saúde precisa caber na rotina Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2022, do IBGE, as mulheres dedicam em média 21,3 horas por semana a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, contra 11,7 horas dos homens, como noticiou a Agência Brasil. Essa distribuição do tempo é uma característica comum da sociedade e ajuda a explicar por que praticidade e agilidade no acesso fazem diferença no cuidado com a própria saúde. Quando a orientação médica se encaixa no dia a dia, fica mais simples manter em dia as consultas periódicas, a prevenção, o check-up e o acompanhamento quando houver indicação. Iniciativas de telemedicina como a da BNG LinkCare ampliam o acesso à orientação médica e somam capacidade à rede de saúde, pública e suplementar, ao lado dos serviços presenciais que já atendem a população. Ao aproximar a mulher do médico, a telemedicina contribui para que mais pessoas mantenham o cuidado em dia e cheguem ao atendimento presencial, quando necessário, já orientadas sobre o próximo passo. Mudanças no acesso à mamografia no SUS e nos planos de saúde Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou as orientações de acesso à mamografia no SUS: mulheres de 40 a 49 anos passaram a ter acesso ao exame sob demanda, em decisão conjunta com o profissional de saúde, e o rastreamento ativo, a cada dois anos, passou a abranger a faixa de 50 a 74 anos, com acesso organizado pela Unidade Básica de Saúde de referência. Na saúde suplementar, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a cobertura da mamografia digital sem restrição de idade, em vigor desde 1º de outubro de 2026 e mediante indicação do médico que acompanha a paciente; antes, a cobertura obrigatória se restringia a mulheres de 40 a 69 anos. Como funciona a consulta online da BNG LinkCare Na ação de Outubro Rosa da BNG LinkCare, a consulta online é um pronto atendimento digital: acontece por videochamada, sem necessidade de hora marcada, com médico com registro no CRM e podendo ser realizada pelo celular ou computador. Para quem tem pouco tempo na rotina ou mora longe de um serviço de saúde, o formato reduz o deslocamento e facilita o primeiro contato médico. A consulta acolhe queixas e sintomas do dia a dia e dúvidas sobre ciclo menstrual, métodos contraceptivos e menopausa, inclusive de mulheres que ainda não sabem quais exames precisam realizar. A partir da avaliação, e sempre que houver indicação clínica, o médico pode emitir o pedido de mamografia para mulheres na faixa etária indicada ou com histórico familiar, assim como de exames de rotina e de check-up, como hemograma, glicemia, colesterol, exames de tireoide e preventivo. Os pedidos são adequados à idade e ao histórico de cada paciente, e os exames são realizados presencialmente, no local de preferência da paciente. Quando necessário, o médico também faz o encaminhamento a especialistas, como ginecologista ou mastologista, para que a mulher siga o cuidado na rede presencial com o profissional adequado ao seu caso. *Em situações de urgência e emergência, a orientação é procurar diretamente um serviço de atendimento presencial.* Como participar da ação de Outubro Rosa da BNG LinkCare? A ação de Outubro Rosa da BNG LinkCare oferece consulta médica online por R$29,90, com validade de 1º a 31 de outubro de 2026.  A condição é exclusiva para pacientes do sexo feminino e dedicada à saúde da mulher. O acesso é feito pela página da campanha, onde a consulta pode ser iniciada diretamente pelo celular ou computador. Como se trata de um Pronto Atendimento Digital, não há agendamento nem escolha de profissional: a paciente é atendida pelo médico disponível no momento do acesso. A consulta segue um protocolo preventivo voltado apenas à saúde da mulher e o valor especial vale somente para esse atendimento. Telemedicina em apoio a municípios e unidades de saúde A BNG LinkCare é a marca de telemedicina da BNG Hub, com mais de 50 mil consultas realizadas. Além da ação de Outubro Rosa, a plataforma apoia municípios e unidades de saúde a ampliarem o acesso ao atendimento médico e às especialidades, como em Colatina (ES), em Mirassol (SP), Sul de Minas e diversas outras, sempre fortalecendo a estrutura de saúde já existente. A BNG Hub segue dedicada a apoiar o cuidado com a saúde da mulher, somando tecnologia e acesso médico à rede de atenção. Acesse a página da campanha para saber mais sobre a ação.

Setembro Amarelo termina, mas o cuidado continua: Guaxupé amplia acesso à Psicologia pelo SUS 

Campanhas como o Setembro Amarelo têm um papel importante: colocar a saúde mental em evidência, ampliar a informação e incentivar a busca por ajuda. Mas, quando setembro termina, a necessidade de cuidado permanece. Em Guaxupé (MG), o movimento de conscientização veio acompanhado da ampliação da oferta de atendimento. Desde 8 de setembro, o município passou a contar com teleconsultas de Psicologia pelo SUS, conectando a população a profissionais especializados por meio da BNG LinkCare. Em pouco mais de três semanas, foram 214 consultas realizadas, envolvendo 8 psicólogos. O serviço segue disponível, transformando um período de mobilização em uma ação permanente de cuidado. Por que a saúde mental é um desafio para a gestão pública? A demanda por cuidado em saúde mental cresce mais rápido do que a capacidade de oferta em praticamente todos os sistemas de saúde. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde divulgado em setembro de 2025, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo, e a maioria não recebe cuidado adequado. O relatório da OMS aponta ainda que a saúde mental representa, em média, apenas 2% dos orçamentos de saúde e que a mediana global é de 13 profissionais de saúde mental para cada 100 mil habitantes. No Brasil, o impacto aparece também no mundo do trabalho. A Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária motivados por transtornos mentais e comportamentais em 2025, alta de 15,66% em relação a 2024. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram a lista, e Minas Gerais aparece como o segundo estado com mais afastamentos, com 83.321 benefícios. Para os municípios, o crescimento da demanda se traduz em uma equação comum a boa parte do interior do país: a procura por atendimento psicológico aumenta, enquanto a disponibilidade de profissionais especializados na região nem sempre acompanha o mesmo ritmo. Como o SUS vem ampliando a oferta em saúde mental? O SUS vem ampliando a oferta em saúde mental com mais atendimentos especializados, mais orçamento para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e novos pontos de atenção. De acordo com o Ministério da Saúde, foram 192 mil atendimentos especializados em saúde mental no primeiro semestre de 2025, ante 158 mil no mesmo período de 2023. O orçamento da RAPS passou de R$ 1,6 bilhão em 2022 para R$ 2,25 bilhões em 2024, e 653 novos pontos de atenção foram habilitados desde 2023. A expansão da RAPS valoriza o papel dos municípios, que organizam a porta de entrada do cuidado e definem como o paciente chega ao atendimento especializado. A teleconsulta soma capacidade justamente nessa etapa, reforçando a estrutura já instalada sem exigir a presença física do especialista na cidade. A BNG Hub participa desse movimento de expansão com a telemedicina, frente que integra o ecossistema do grupo por meio da plataforma BNG LinkCare, com mais de 50 mil consultas realizadas. Em Colatina (ES), o modelo telepresencial somou 310 consultas especializadas nos primeiros 30 dias, com destaque para a neurologia e 46 atendimentos de neuropediatria. Em Mirassol (SP), a plataforma apoia a TeleUPA com cobertura médica 24 horas. No Sul de Minas, a atuação conjunta com o CIMOG levou a telemedicina especializada a Muzambinho, com nove especialidades, a Monte Santo de Minas, com sete, e a Guaxupé, que começou pela Psicologia. Em comum, essas experiências partem da mesma premissa: a tecnologia amplia o alcance da rede, enquanto a regulação, as prioridades e o desenho do cuidado permanecem com a gestão local. O que mostram os números de Guaxupé? Em pouco mais de três semanas, 195 pessoas passaram a ter acompanhamento psicológico agendado ou em andamento. As teleconsultas de Psicologia integram o projeto de telemedicina especializada realizado com o CIMOG (Consórcio Intermunicipal da Baixa Mogiana), que reúne 17 municípios da região. Guaxupé, Muzambinho e Monte Santo de Minas foram as primeiras cidades a receber a telemedicina especializada, como registrou a matéria do Hub News sobre a chegada da telemedicina ao Sul de Minas. Como funciona a teleconsulta de Psicologia em Guaxupé? A teleconsulta de Psicologia é um atendimento por videochamada, em tempo real, com psicólogo registrado no Conselho Regional de Psicologia (CRP). A telessaúde é autorizada no país pela Lei nº 14.510/2022, e a prestação de serviços psicológicos por meios digitais é regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia na Resolução CFP nº 9/2024. O acesso ao serviço segue os critérios da regulação municipal e da Secretaria de Saúde de Guaxupé, que definem quem é atendido e em que ordem de prioridade. A plataforma BNG LinkCare atua em apoio a essa regulação, somando psicólogos à equipe local e fortalecendo a capacidade que o município já tem. Os atendimentos acontecem nos 11 consultórios integrados municipais de telemedicina com a BNG LinkCare. São espaços dentro da rede de saúde de Guaxupé, conectados à plataforma, nos quais o paciente é atendido na própria cidade. A telepsicologia reduz assim uma barreira comum ao cuidado em saúde mental: a distância até os centros com maior oferta de especialistas. Para a gestão, essa estrutura traz eficiência. A secretaria amplia a oferta especializada sem depender da contratação presencial de cada profissional e sem deslocar pacientes para outras cidades, com previsibilidade de agenda e registro de dados que permitem acompanhar indicadores de acesso com transparência, como os apresentados acima. Os mesmos consultórios também permitem expandir especialidades conforme a demanda da rede, o que sustenta a previsão de três novas especialidades no município a partir de outubro.   *A teleconsulta de Psicologia não substitui o atendimento de urgência. Situações de crise seguem os fluxos da rede de saúde do município.   O que acontece com o cuidado em saúde mental depois do Setembro Amarelo? Em Guaxupé, as teleconsultas de Psicologia seguem disponíveis nos meses seguintes. O acompanhamento psicológico se dá em sessões regulares ao longo do tempo, e por isso a permanência do serviço depois de setembro é parte essencial da iniciativa. A previsão é que a telemedicina no município seja ampliada para mais três especialidades a partir de outubro. Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho

Telemedicina no SUS: como Colatina-ES ampliou o acesso a especialistas

Colatina, no Espírito Santo, ampliou a oferta de atenção especializada dentro da própria rede municipal com um modelo telepresencial de telemedicina. Nos 30 primeiros dias de atendimento, a operação registrou 310 consultas em cinco áreas clínicas: neurologia, endocrinologia, proctologia, ortopedia e traumatologia, e pneumologia. A operação é estruturada pela BNG Hub, sempre em apoio à regulação e à gestão municipal, com o atendimento operado pela BNG LinkCare. A neurologia concentrou 59% de toda a demanda do período, e a neurologia pediátrica sozinha respondeu por 46 dessas consultas. O que é o modelo telepresencial e onde ele se encaixa na rede municipal Telemedicina em modelo telepresencial é o atendimento em que o paciente é recebido na unidade de saúde do próprio município, com uma equipe local capacitada conduzindo a consulta, enquanto o médico especialista participa a distância pela plataforma. O modelo não substitui a estrutura da rede, amplia a capacidade instalada que ela já tem: a vaga é ocupada dentro do território, com registro na produção ambulatorial do próprio município. Entre os formatos de telemedicina, o telepresencial é o indicado quando a avaliação pede apoio presencial e continuidade na rede. Como a unidade segue sendo o ponto de atenção, o vínculo com a Atenção Primária é preservado, o especialista conta com o apoio da equipe presente durante a avaliação e o atendimento entra na produção ambulatorial do município. É o desenho que sustenta subespecialidades e casos de acompanhamento longitudinal, em que o retorno do paciente ao cuidado local faz parte do tratamento. Para a gestão, a consequência prática é que a secretaria não precisa absorver mais um serviço para operar. O acompanhamento das agendas dos especialistas é feito em conjunto com a operação, sempre dentro dos critérios de regulação definidos pela gestão municipal. Por que a oferta de subespecialidades é um desafio estrutural nos municípios de porte médio A oferta de subespecialidades é um desafio estrutural do setor, não uma característica de uma rede específica. Manter no próprio território a variedade de subespecialistas disponível nos grandes centros exige uma escala assistencial que a maioria dos municípios, isoladamente, não alcança. Quanto mais específica a subespecialidade, maior a população necessária para sustentar um profissional em agenda regular, e é por isso que a oferta tende a se concentrar em poucos centros de referência. O efeito sobre a gestão é conhecido: demanda reprimida que se acumula na fila de regulação, encaminhamentos que dependem de pactuação com o município de referência e custo crescente de transporte sanitário. O deslocamento também alimenta o absenteísmo, porque cada consulta agendada fora do território tem mais chance de não ser cumprida, e uma vaga perdida em subespecialidade é difícil de repor no mês. A telemedicina em modelo telepresencial atua exatamente nesse ponto: aproveita a estrutura de atendimento que o município já mantém e conecta a ela a oferta de especialistas que a escala local não sustentaria sozinha. Por que a fila de neurologia pediátrica é uma das mais desafiadoras para a gestão Entre as filas da atenção especializada, a de neuropediatria é uma das mais desafiadoras de administrar, por três motivos que se somam. O volume é estrutural, não sazonal. Cerca de 80% da procura por neuropediatria é de distúrbios do desenvolvimento, com peso importante do TDAH, de acordo com o MPDFT. São quadros de acompanhamento longitudinal, e não de atendimento único, o que significa que cada novo paciente ocupa vagas de retorno pelos anos seguintes. Uma fila de neuropediatria não se resolve com mutirão, porque o mutirão gera demanda de seguimento. Parte da demanda é documental e não clínica. O mesmo levantamento aponta que a exigência de laudos para benefícios, como o passe livre no transporte público, ocupa parte da agenda do especialista, ao lado do déficit de equipes multiprofissionais que poderiam absorver o acompanhamento. A espera tem custo clínico cumulativo. Como aponta a organização Autismo e Realidade, os sinais do Transtorno do Espectro Autista são detectáveis por volta dos 18 meses e o diagnóstico é considerado confiável aos 2 anos, mas muitas crianças só recebem o diagnóstico no início da adolescência, e quanto mais cedo a intervenção começa, melhor o prognóstico. Há ainda sobreposição entre condições: a prevalência de epilepsia em pessoas com autismo é de 12,1%, e a de autismo em pacientes com epilepsia, de 9%, bem acima da prevalência de 1% a 3% de epilepsia na população geral. Uma única criança pode demandar avaliação neurológica, acompanhamento do desenvolvimento e articulação com outras terapias ao mesmo tempo. Volume estrutural, demanda documental e custo clínico cumulativo somados fazem da fila de neuropediatria uma das de maior exposição à judicialização. Em dezembro de 2023, diante de mais de 10 mil crianças aguardando neuropediatria no Distrito Federal, a Defensoria Pública do DF ajuizou ação civil pública pedindo a extinção da fila. Para a gestão municipal, cada mês de espera acumulada aumenta o risco de a vaga passar a ser determinada judicialmente, e não pela regulação. Como a neuropediatria é atendida no modelo telepresencial A viabilidade clínica da neuropediatria à distância costuma ser a primeira objeção técnica na mesa da gestão, porque boa parte da avaliação é observacional e depende de exame do desenvolvimento. No modelo telepresencial, essa objeção é endereçada pela presença da equipe local. A criança e o acompanhante são recebidos na unidade, a equipe capacitada conduz o atendimento ao lado deles e o neuropediatra participa à distância. O especialista observa a criança em interação e colhe o histórico de desenvolvimento, escolar e comportamental com quem acompanha o caso, com apoio da equipe presente ao longo da consulta. A avaliação especializada a distância com equipe capacitada ao lado do paciente é o que viabiliza a neurologia pediátrica em uma unidade que não teria escala para manter o profissional no próprio quadro. Como a operação foi estruturada A atuação da BNG Hub na unidade se apoiou em dois eixos conduzidos em paralelo, ambos voltados a fortalecer a capacidade já existente na rede local. O primeiro foi a capacitação da equipe local para o atendimento em modelo telepresencial: preparar